Proposta da Maze Impact para desenhar um Programa de Apoio e Acompanhamento da Primeira Infância, em estreita articulação com a Câmara Municipal.
A Maze propõe desenhar, em 8 semanas, um Plano para a Primeira Infância de Odemira que combina um diagnóstico rigoroso, a definição da jornada ideal (da gravidez aos três anos) fundamentada em evidência, e um modelo de resposta social.
A caracterização do universo e da infraestrutura faz-se em quatro abordagens, que vão do registo macro à realidade no terreno.
Esquema ilustrativo da realidade de acessibilidade. O entregável final é um mapa georreferenciado por freguesia, com tempos de deslocação reais (Bloco D).

Fonte: INE, dados publicados em junho de 2026, no Expresso.
Os dois números não coincidem e é fundamental estabilizar este universo logo na definição de âmbito: sem reconciliar registos administrativos, projeções e nascimentos observados, qualquer dimensionamento de respostas parte de uma base ambígua.
No que toca à infraestrutura, é essencial acompanhar o mapeamento de respostas de base com respostas complementares de mediação e integração social e cultural, tendo em conta o facto de Odemira ser o município em Portugal com maior percentagem de população residente estrangeira face à população total.
Esta leitura cruza-se com a evidência sistematizada no relatório da OCDE (2025) Reducing inequalities by investing in early childhood education and care, que reforça o papel da primeira infância na redução de desigualdades em contextos de elevada diversidade.
Construíremos a jornada ideal como uma matriz de dupla entrada que cruza cinco momentos da jornada (eixo do tempo) com as cinco dimensões do Nurturing Care da OMS/UNICEF (eixo do cuidado). Cada célula é um cruzamento destas duas dimensões.
| Momento \ Dimensão | Boa saúde | Nutrição adequada | Cuidados antecipatórios | Segurança e proteção | Aprendizagem precoce |
|---|---|---|---|---|---|
| Gravidez | Vigilância pré-natal no 1.º trimestre; ácido fólico; deteção de gravidez de risco | Avaliação nutricional materna; suplementação | Preparação do vínculo; sessões de parentalidade | Rastreio de risco psicossocial e habitacional | Literacia sobre desenvolvimento fetal |
| Pós-parto imediato | Visita domiciliária (PNSIJ); consulta 1.ª semana; teste do pezinho | Apoio ao aleitamento materno | Contacto pele-a-pele; Touchpoints; Circle of Security | Avaliação condições do regresso a casa; segurança do sono | Estímulo sensorial precoce; interação face-a-face |
| Acolhimento 0-12m | Consultas PNSIJ (1, 2, 4, 6, 9 meses); vacinação PNV | Aleitamento continuado; início da diversificação alimentar | Acompanhamento da relação cuidador-criança | Acesso a creche/ama (Creche Feliz); ambiente seguro | Estimulação da linguagem; brincar; SNIPI |
| 12-36 meses | Consultas PNSIJ (12, 15, 18 meses, 2 e 3 anos) | Alimentação familiar saudável; educação alimentar | Parentalidade positiva (Triple P); rotinas e limites | Acompanhamento social do agregado; transição pré-escolar | Creche/jardim de infância de qualidade |
| Competências parentais | Saúde mental materna pré e pós-parto (Growing Minds) | Educação alimentar parental ao longo da jornada | Capacitação em cuidados antecipatórios | Suporte social à família; redução do isolamento | Capacitação parental para estimulação e brincar |
Conteúdos ilustrativos e não exaustivos. A versão final será desenvolvida ao longo do projeto.
Ancoramos a jornada ideal no que já existe e funciona em Portugal e em entidades e diretrizes com credibilidade, evidência e legitimidade científica, nacional e internacional.
Referencial alinhado com os 5 componentes do Nurturing Care (boa saúde, nutrição adequada, cuidados antecipatórios, segurança e proteção, aprendizagem precoce). A jornada ideal cruza estes componentes com o calendário do PNSIJ e ancora cada medida num modelo de eficácia comprovada, vários deles já testados em Portugal pela iniciativa Growing Minds.
A gap analysis permite que cada ponto da jornada ideal responda às seguintes questões: o que deveria existir, o que existe de facto, qual a distância entre os dois, e quão grave é essa distância.
| Boa saúde | Nutrição | Cuidados antecipatórios | Segurança e proteção | Aprendizagem precoce | |
|---|---|---|---|---|---|
| Gravidez | AltaAcess. | MédiaCobert. | BaixaCobert. | AltaAdeq. | MédiaAdeq. |
| Pós-parto imediato | AltaAcess. | MédiaCobert. | MédiaContin. | BaixaAdeq. | BaixaCobert. |
| Acolhimento 0-12m | MédiaAcess. | BaixaAdeq. | MédiaContin. | AltaCobert. | MédiaAdeq. |
| 12-36 meses | AltaContin. | BaixaAdeq. | MédiaAcess. | AltaCobert. | AltaCobert. |
| Competências parentais | AltaAdeq. | BaixaCobert. | AltaAdeq. | MédiaContin. | MédiaAcess. |
Exemplo ilustrativo do output.
O entregável será uma matriz de gaps priorizada: navegável em que cada linha é um ponto da jornada, classificado por tipo e severidade.
Esta fase do projeto irá criar a base da resposta social com base em três transformações: das falhas às necessidades, das necessidades às medidas, das medidas ao plano. A tabela em baixo mostra um exemplo ilustrativo do racional para criar a resposta social adequada.
| Jornada ideal | Gravidez × Saúde: vigilância pré-natal iniciada no 1.º trimestre para todas as grávidas. |
| Realidade | Grávidas migrantes iniciam tarde ou não vigiam; sem médico de família, com barreira linguística. |
| Gap | Tipo: acessibilidade + adequação. Severidade: alta. |
| Necessidade | Acesso universal e atempado à vigilância pré-natal, independente de registo, língua ou freguesia. |
| Medida | Equipa móvel materno-infantil com mediação cultural; busca ativa nas freguesias de maior pressão. |
| Plano | Medida integrada no eixo de saúde de proximidade, articulada com a ULSLA e o PNSIJ, faseada na execução. |
Exemplo ilustrativo. As conclusões reais irão resultar da fase IV.
Pela experiência da Maze com os primeiros Títulos de Impacto Social e com outros instrumentos de financiamento a nível municipal que resultam dos nossos projetos com a Área Metropolitana do Porto, Comunidade Intermunicipal do Alto Alentejo, entre outros territórios, iremos dar atenção especial a um modelo de financiamento que combine várias fontes de capital (fundações, financiamento público e instrumentos de política pública), e vários modelos de intervenção implementados por diferentes tipos de organizações, incluindo entidades de base comunitária.
O Plano será o entregável final, acumulando todas as aprendizagens feitas ao longo das fases anteriores, resultando num documento concreto e acionável, que inclui os meios institucionais, humanos e financeiros que permitam a sua implementação e execução.
A equipa do projeto combina experiência em desenho de estratégias locais na área da inovação social, com envolvimento de vários tipos de stakeholders: organizações no terreno, equipas municipais, beneficiários e financiadores.


